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Escuta ativa e autonomia: o protagonismo do aluno na construção do conhecimento

Atualizado: 19 de out. de 2024

O protagonismo do aluno no processo de ensino-aprendizagem é uma abordagem que, para mim, vai muito além de um ideal pedagógico: é uma prática necessária e transformadora. Ao longo da minha trajetória como professor na Escola Estadual PEI José Domingos da Silveira, venho experimentando formas de tornar o estudante não apenas receptor de conteúdos, mas agente ativo na construção do próprio conhecimento, respeitando seus interesses e articulando suas escolhas com seu projeto de vida.


Em minhas aulas, acredito que o primeiro passo para essa transformação é ouvir. Para que o aluno se sinta protagonista, ele precisa ter espaço para expressar suas preferências, suas inquietações e as temáticas que mais o mobilizam. Uma das ações que desenvolvi nesse sentido foram as rodas de conversa, onde abro espaço para que os estudantes compartilhem os assuntos que desejam explorar e que estão alinhados com suas expectativas de futuro. O objetivo dessas conversas é simples, mas poderoso: ouvir atentamente o que os alunos têm a dizer e, a partir disso, pensar coletivamente em como integrar seus interesses ao currículo. Essa escuta ativa é fundamental para que o processo de ensino se molde às necessidades e desejos de cada um.


Roda de conversa.
Roda de conversa, promovida pelo professor Douglas, sobre sobre suas aulas.

Outro aspecto que considero essencial na busca por um aprendizado centrado no aluno é o feedback constante. Para isso, criei formulários online em que os alunos podem avaliar as minhas aulas, sugerir melhorias e indicar quais conteúdos gostariam de aprofundar. Esse diálogo com os estudantes é uma via de mão dupla: por um lado, ele me fornece indicadores claros sobre o que está funcionando ou não nas aulas, por outro, dá ao aluno a chance de exercitar sua autonomia ao sugerir modificações, reorientações e novos focos de estudo. Isso contribui para que eles percebam que o aprendizado é uma construção coletiva e contínua, onde suas vozes são parte central do processo.


resultado de formulário de pesquisa.
Recorte com resultado do formulário online de avaliação da aulas do professor Douglas e autoavaliação discente.

No entanto, o projeto que talvez melhor ilustre essa filosofia de protagonismo estudantil é o "COM TEXTOS", um laboratório de leitura e escrita que desenvolvi com os alunos. Neste projeto, além de apresentarmos obras e autores de diversas estruturas poéticas, oferecemos aos estudantes a oportunidade de criar. Eles têm a liberdade de escrever seus próprios poemas, artigos e resenhas, expressando seus sentimentos, suas visões de mundo e as temáticas que lhes são mais caras. Aqui, cada aluno é convidado a refletir sobre sua trajetória, a se apropriar das ferramentas de escrita e, principalmente, a entender que o processo criativo também é uma forma de autoconhecimento e construção de seu projeto de vida. Ao escreverem sobre temas que os tocam, os alunos não apenas produzem conhecimento, mas se envolvem de maneira mais profunda com o conteúdo.


Essa autonomia no aprendizado reflete o princípio de que o aluno precisa ter um papel ativo na escolha dos temas que irá estudar. Quando respeitamos e incentivamos suas escolhas, estamos reconhecendo que cada aluno tem um percurso único, com interesses e sonhos que precisam ser considerados. No "COM TEXTOS", os alunos experimentam a liberdade de criar a partir de estruturas sugeridas, mas adaptam essas estruturas às suas ideias e perspectivas, tornando o aprendizado não apenas significativo, mas profundamente pessoal.


estudantes escrevendo.
Estudantes escrevendo como parte do processo do projeto "COM TEXTOS".

Percebo que essas práticas, que valorizam a escuta e o protagonismo do aluno, geram um envolvimento maior com o conteúdo e uma responsabilidade compartilhada pelo aprendizado. Quando os estudantes sentem que suas vozes importam e que suas escolhas influenciam o rumo das aulas, eles se tornam mais engajados e motivados. Além disso, ao conectarem o que aprendem com seus projetos de vida, encontram no aprendizado um sentido mais profundo, que ultrapassa as barreiras da sala de aula e se estende para o futuro que desejam construir.


Em resumo, ao promover a escuta ativa, o diálogo constante e a criação de espaços onde os alunos possam se expressar e construir conhecimento de forma coletiva e individual, acredito que estamos pavimentando o caminho para um ensino mais inclusivo e transformador. O protagonismo estudantil não é apenas uma estratégia pedagógica: é uma forma de reconhecer a individualidade de cada aluno e de apostar em sua capacidade de, através do conhecimento, trilhar o próprio caminho.


Professor Douglas Faria Soares

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