Escuta ativa e autonomia: o protagonismo do aluno na construção do conhecimento
- Douglas Faria Soares
- 2 de out. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 19 de out. de 2024
O protagonismo do aluno no processo de ensino-aprendizagem é uma abordagem que, para mim, vai muito além de um ideal pedagógico: é uma prática necessária e transformadora. Ao longo da minha trajetória como professor na Escola Estadual PEI José Domingos da Silveira, venho experimentando formas de tornar o estudante não apenas receptor de conteúdos, mas agente ativo na construção do próprio conhecimento, respeitando seus interesses e articulando suas escolhas com seu projeto de vida.
Em minhas aulas, acredito que o primeiro passo para essa transformação é ouvir. Para que o aluno se sinta protagonista, ele precisa ter espaço para expressar suas preferências, suas inquietações e as temáticas que mais o mobilizam. Uma das ações que desenvolvi nesse sentido foram as rodas de conversa, onde abro espaço para que os estudantes compartilhem os assuntos que desejam explorar e que estão alinhados com suas expectativas de futuro. O objetivo dessas conversas é simples, mas poderoso: ouvir atentamente o que os alunos têm a dizer e, a partir disso, pensar coletivamente em como integrar seus interesses ao currículo. Essa escuta ativa é fundamental para que o processo de ensino se molde às necessidades e desejos de cada um.

Outro aspecto que considero essencial na busca por um aprendizado centrado no aluno é o feedback constante. Para isso, criei formulários online em que os alunos podem avaliar as minhas aulas, sugerir melhorias e indicar quais conteúdos gostariam de aprofundar. Esse diálogo com os estudantes é uma via de mão dupla: por um lado, ele me fornece indicadores claros sobre o que está funcionando ou não nas aulas, por outro, dá ao aluno a chance de exercitar sua autonomia ao sugerir modificações, reorientações e novos focos de estudo. Isso contribui para que eles percebam que o aprendizado é uma construção coletiva e contínua, onde suas vozes são parte central do processo.

No entanto, o projeto que talvez melhor ilustre essa filosofia de protagonismo estudantil é o "COM TEXTOS", um laboratório de leitura e escrita que desenvolvi com os alunos. Neste projeto, além de apresentarmos obras e autores de diversas estruturas poéticas, oferecemos aos estudantes a oportunidade de criar. Eles têm a liberdade de escrever seus próprios poemas, artigos e resenhas, expressando seus sentimentos, suas visões de mundo e as temáticas que lhes são mais caras. Aqui, cada aluno é convidado a refletir sobre sua trajetória, a se apropriar das ferramentas de escrita e, principalmente, a entender que o processo criativo também é uma forma de autoconhecimento e construção de seu projeto de vida. Ao escreverem sobre temas que os tocam, os alunos não apenas produzem conhecimento, mas se envolvem de maneira mais profunda com o conteúdo.
Essa autonomia no aprendizado reflete o princípio de que o aluno precisa ter um papel ativo na escolha dos temas que irá estudar. Quando respeitamos e incentivamos suas escolhas, estamos reconhecendo que cada aluno tem um percurso único, com interesses e sonhos que precisam ser considerados. No "COM TEXTOS", os alunos experimentam a liberdade de criar a partir de estruturas sugeridas, mas adaptam essas estruturas às suas ideias e perspectivas, tornando o aprendizado não apenas significativo, mas profundamente pessoal.

Percebo que essas práticas, que valorizam a escuta e o protagonismo do aluno, geram um envolvimento maior com o conteúdo e uma responsabilidade compartilhada pelo aprendizado. Quando os estudantes sentem que suas vozes importam e que suas escolhas influenciam o rumo das aulas, eles se tornam mais engajados e motivados. Além disso, ao conectarem o que aprendem com seus projetos de vida, encontram no aprendizado um sentido mais profundo, que ultrapassa as barreiras da sala de aula e se estende para o futuro que desejam construir.
Em resumo, ao promover a escuta ativa, o diálogo constante e a criação de espaços onde os alunos possam se expressar e construir conhecimento de forma coletiva e individual, acredito que estamos pavimentando o caminho para um ensino mais inclusivo e transformador. O protagonismo estudantil não é apenas uma estratégia pedagógica: é uma forma de reconhecer a individualidade de cada aluno e de apostar em sua capacidade de, através do conhecimento, trilhar o próprio caminho.
Professor Douglas Faria Soares

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