A transformação da sala de aula com Metodologias Ativas
- Douglas Faria Soares
- 18 de set. de 2024
- 3 min de leitura
O uso de metodologias ativas na sala de aula transformou minha prática pedagógica de uma maneira profunda e envolvente. Ao longo dos anos, percebi que a educação tradicional, centrada na figura do professor como único detentor do conhecimento, muitas vezes desestimula o engajamento e a criatividade dos alunos. Foi a partir dessa constatação que comecei a explorar abordagens mais dinâmicas e participativas, buscando criar um ambiente em que o aprendizado fosse mais colaborativo e significativo. Entre as várias metodologias que experimentei, algumas se destacaram pela maneira como envolveram os estudantes e trouxeram resultados surpreendentes. Neste ensaio, vou refletir sobre minha experiência com a gamificação, a rotação por estações, o mural colaborativo e as rodas de leitura.
Uma das metodologias mais desafiadoras que implementei foi a gamificação. Criei um jogo de cartas chamado "TAI" – sigla para tese, argumento e intervenção. O objetivo era ajudar os alunos a compreenderem a estrutura do texto dissertativo-argumentativo de uma maneira mais lúdica e prática. No início, alguns alunos se mostraram indiferentes. Afinal, transformar um conteúdo tradicionalmente rígido em um jogo parecia distante de suas expectativas. Contudo, à medida que as rodadas avançavam, o interesse crescia. Os alunos começaram a se envolver com as cartas, discutindo entre si como melhor articular uma tese e quais argumentos usar para fortalecê-la. Foi gratificante ver essa transformação, ainda que eu reconheça a necessidade de ajustes no jogo para torná-lo ainda mais acessível e fluido. O ponto crucial dessa experiência foi perceber que a competição saudável e o componente lúdico podem quebrar barreiras e tornar o aprendizado mais atraente.

Outra metodologia que gerou resultados positivos foi a rotação por estações. Para uma aula sobre movimentos artístico-literários, montei três estações: uma para poemas, outra para prosa e uma terceira dedicada a imagens. Cada estação mesclava textos dos períodos literários romantismo, realismo e modernismo. A proposta era que os alunos identificassem características desses movimentos em cada tipo de obra. A troca de estações a cada intervalo de tempo proporcionou uma dinâmica diferenciada à aula, e os alunos, ao interagirem com diferentes materiais, tiveram a oportunidade de construir o conhecimento de forma autônoma e colaborativa. O interessante desse método é que ele promoveu uma visão integrada dos conteúdos, e os alunos puderam relacionar literatura e arte de maneira mais natural e crítica.

O mural colaborativo foi outra experiência marcante. Nessa atividade, os alunos uniram elementos artísticos, musicais e literários de diferentes épocas – especialmente modernismo e contemporaneidade – para criar murais que expressassem suas visões críticas sobre essas obras. A colaboração foi o centro da atividade, e o processo criativo, longe de ser linear, envolveu debates e ajustes contínuos entre os grupos. Além de trabalhar o conteúdo artístico-literário, essa metodologia possibilitou que os alunos desenvolvessem habilidades de comunicação, argumentação e negociação. Percebi o quanto esse tipo de trabalho favorece a expressão criativa e a reflexão crítica, transformando a sala de aula em um espaço de diálogo aberto.

As rodas de leitura, por sua vez, permitiram uma imersão mais profunda na literatura. Realizamos leituras compartilhadas e análises de poemas e contos, utilizando uma variedade de recursos – desde livros tradicionais até tablets e computadores. Essa metodologia, que valoriza o contato direto com o texto e o compartilhamento de impressões, mostrou-se extremamente eficaz para engajar os alunos, especialmente os que têm mais dificuldades em leitura. Mais do que ler passivamente, eles passaram a interpretar, questionar e debater os textos, exercitando a capacidade crítica. Além disso, ao produzir seus próprios poemas e desenhos a partir das leituras, os estudantes se tornaram co-criadores no processo de aprendizado, o que fortaleceu seu vínculo com o conteúdo.

Essas experiências com metodologias ativas me ensinaram que o papel do professor é, em muitos casos, o de mediador e facilitador, e não de controlador absoluto do processo de ensino. Quando os alunos são colocados no centro da aprendizagem, como protagonistas, eles respondem de maneira mais envolvida e criativa. As metodologias ativas permitem que o aprendizado aconteça de forma mais orgânica, levando em conta os interesses e ritmos de cada estudante. Claro que cada sala tem suas particularidades, e nem sempre tudo funciona como planejado – ajustes são sempre necessários –, mas a flexibilidade e a abertura para novas abordagens são, sem dúvida, fundamentais para o sucesso.
Em resumo, metodologias ativas como gamificação, rotação por estações, mural colaborativo e roda de leitura têm transformado a forma como ensino e como os alunos aprendem. Essas práticas me mostraram que, ao oferecer oportunidades para que os estudantes interajam com o conteúdo de maneiras diferentes, o aprendizado se torna mais significativo, criativo e colaborativo. O futuro da educação, acredito, está em uma abordagem mais ativa e menos passiva, onde todos – professor e alunos – aprendem juntos, em um constante processo de construção e reconstrução do saber.
Professor Douglas Faria Soares



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