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A transformação da sala de aula com Metodologias Ativas

O uso de metodologias ativas na sala de aula transformou minha prática pedagógica de uma maneira profunda e envolvente. Ao longo dos anos, percebi que a educação tradicional, centrada na figura do professor como único detentor do conhecimento, muitas vezes desestimula o engajamento e a criatividade dos alunos. Foi a partir dessa constatação que comecei a explorar abordagens mais dinâmicas e participativas, buscando criar um ambiente em que o aprendizado fosse mais colaborativo e significativo. Entre as várias metodologias que experimentei, algumas se destacaram pela maneira como envolveram os estudantes e trouxeram resultados surpreendentes. Neste ensaio, vou refletir sobre minha experiência com a gamificação, a rotação por estações, o mural colaborativo e as rodas de leitura.


Uma das metodologias mais desafiadoras que implementei foi a gamificação. Criei um jogo de cartas chamado "TAI" – sigla para tese, argumento e intervenção. O objetivo era ajudar os alunos a compreenderem a estrutura do texto dissertativo-argumentativo de uma maneira mais lúdica e prática. No início, alguns alunos se mostraram indiferentes. Afinal, transformar um conteúdo tradicionalmente rígido em um jogo parecia distante de suas expectativas. Contudo, à medida que as rodadas avançavam, o interesse crescia. Os alunos começaram a se envolver com as cartas, discutindo entre si como melhor articular uma tese e quais argumentos usar para fortalecê-la. Foi gratificante ver essa transformação, ainda que eu reconheça a necessidade de ajustes no jogo para torná-lo ainda mais acessível e fluido. O ponto crucial dessa experiência foi perceber que a competição saudável e o componente lúdico podem quebrar barreiras e tornar o aprendizado mais atraente.


jogos didáticos
Professor Douglas e seus alunos jogando "TAI".

Outra metodologia que gerou resultados positivos foi a rotação por estações. Para uma aula sobre movimentos artístico-literários, montei três estações: uma para poemas, outra para prosa e uma terceira dedicada a imagens. Cada estação mesclava textos dos períodos literários romantismo, realismo e modernismo. A proposta era que os alunos identificassem características desses movimentos em cada tipo de obra. A troca de estações a cada intervalo de tempo proporcionou uma dinâmica diferenciada à aula, e os alunos, ao interagirem com diferentes materiais, tiveram a oportunidade de construir o conhecimento de forma autônoma e colaborativa. O interessante desse método é que ele promoveu uma visão integrada dos conteúdos, e os alunos puderam relacionar literatura e arte de maneira mais natural e crítica.


estações de estudo
Estudantes na estações de estudo.

O mural colaborativo foi outra experiência marcante. Nessa atividade, os alunos uniram elementos artísticos, musicais e literários de diferentes épocas – especialmente modernismo e contemporaneidade – para criar murais que expressassem suas visões críticas sobre essas obras. A colaboração foi o centro da atividade, e o processo criativo, longe de ser linear, envolveu debates e ajustes contínuos entre os grupos. Além de trabalhar o conteúdo artístico-literário, essa metodologia possibilitou que os alunos desenvolvessem habilidades de comunicação, argumentação e negociação. Percebi o quanto esse tipo de trabalho favorece a expressão criativa e a reflexão crítica, transformando a sala de aula em um espaço de diálogo aberto.


mural colaborativo
Estudantes montando um mural colaborativo.

As rodas de leitura, por sua vez, permitiram uma imersão mais profunda na literatura. Realizamos leituras compartilhadas e análises de poemas e contos, utilizando uma variedade de recursos – desde livros tradicionais até tablets e computadores. Essa metodologia, que valoriza o contato direto com o texto e o compartilhamento de impressões, mostrou-se extremamente eficaz para engajar os alunos, especialmente os que têm mais dificuldades em leitura. Mais do que ler passivamente, eles passaram a interpretar, questionar e debater os textos, exercitando a capacidade crítica. Além disso, ao produzir seus próprios poemas e desenhos a partir das leituras, os estudantes se tornaram co-criadores no processo de aprendizado, o que fortaleceu seu vínculo com o conteúdo.



Livro digital em computador
Roda de leitura do livro "Eu destilo melanina e mel", de Upile Chisala.

Essas experiências com metodologias ativas me ensinaram que o papel do professor é, em muitos casos, o de mediador e facilitador, e não de controlador absoluto do processo de ensino. Quando os alunos são colocados no centro da aprendizagem, como protagonistas, eles respondem de maneira mais envolvida e criativa. As metodologias ativas permitem que o aprendizado aconteça de forma mais orgânica, levando em conta os interesses e ritmos de cada estudante. Claro que cada sala tem suas particularidades, e nem sempre tudo funciona como planejado – ajustes são sempre necessários –, mas a flexibilidade e a abertura para novas abordagens são, sem dúvida, fundamentais para o sucesso.


Em resumo, metodologias ativas como gamificação, rotação por estações, mural colaborativo e roda de leitura têm transformado a forma como ensino e como os alunos aprendem. Essas práticas me mostraram que, ao oferecer oportunidades para que os estudantes interajam com o conteúdo de maneiras diferentes, o aprendizado se torna mais significativo, criativo e colaborativo. O futuro da educação, acredito, está em uma abordagem mais ativa e menos passiva, onde todos – professor e alunos – aprendem juntos, em um constante processo de construção e reconstrução do saber.


Professor Douglas Faria Soares

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